Gestão e mitigação de impactos

Nossas operações diretas e indiretas podem ter consequências sobre a biodiversidade, afetando também a dependência de serviços ecossistêmicos. Assim, dispomos de um conjunto de medidas para avaliar tais impactos, que possam mitiga-los e promover a melhor gestão possível dos recursos naturais. Para tanto, foi elaborada uma política específica para biodiversidade, esclarecendo o posicionamento da empresa.

 

Política de Uso da Terra e Biodiversidade

No plano estratégico, corporativo e na tomada de decisões operacionais, a Bunge mantém uma política para orientar os processos de avaliação da empresa nos aspectos relacionados à biodiversidade e ao uso da terra. O conteúdo dessa política está em desenvolvimento, continuamente, com a realização de trabalhos e planos de ação, além de ser objeto de consulta às partes interessadas do Brasil e de outros países desde 2010.

São princípios da Política de Uso da Terra e Biodiversidade da Bunge:

  1. Melhorar avaliações e aplicabilidades

A Bunge é ciente de sua responsabilidade em consequência das atividades de originação e seus impactos sobre a biodiversidade e o uso da terra. Assim, promove o uso eficiente de recursos naturais a fim de poder fornecer produtos em quantidade e qualidade que atendam às necessidades globais de alimentação.

Neste Relatório podem ser acompanhadas as evoluções dos produtores em adesão aos padrões de originação da empresa, bem como os trabalhos realizados para sua melhoria.

  1. Garantir produtos adequados aos mercados

A empresa tem foco em padrões aceitáveis de uso florestal que garantam a disponibilidade de terra para agricultura em respeito às legislações locais e às referências assumidas.

Nesse contexto, a empresa está engajada para a transição da Moratória da Soja, que continuou vigente durante 2014 e em transição até maio de 2016[1]. Clientes e fornecedores fazem parte do grupo de trabalho para garantir que os produtos estejam adequados aos mercados atendidos. No final de 2015, foi publicada a nova Política de Não Desflorestamento que entre seus objetivos estabelece o compromisso de eliminar o desflorestamento da cadeia de fornecimento agrícola da Bunge, globalmente. Para mais informações veja em Promoção da agricultura sustentável.

  1. Assegurar prontidão estratégica para adoção de padrões

A empresa estará pronta para aderir a padrões de certificação de mercado, sob demanda e reconhecimento de seus clientes.

 Assim, trabalhamos com as certificações por meio do selo 2BSvs, para soja destinada ao mercado europeu de biodiesel, e Bonsucro, destinada ao mercado global de etanol e açúcar. Detemos ainda as certificações do mercado norte-americano com base no EPA e CARB para todo o etanol produzido.

  1. Promoção de melhores práticas

A Bunge acredita que a identificação e a comunicação das melhores práticas entre seus fornecedores, incluindo a recuperação de áreas degradadas, é a chave para promover a sustentabilidade no campo.

A Bunge apoia o programa Soja Plus, por meio da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), que interage com um número cada vez maior de produtores da região dos Cerrados, disseminando as melhores práticas agrícolas e trabalhistas. A Bunge manteve a parceria com a ONG The Nature Conservancy (TNC) para levar as melhores práticas de cultivo e desenvolvimento ambiental em regiões agrícolas mais sensíveis.

  1. Soluções abrangentes e comunidades locais

A Bunge encoraja a execução de serviços ambientais que conduzam à melhoria socioambiental das comunidades onde opera. A empresa reconhece o direito de pequenos proprietários e de indígenas a condições adequadas de vida e a interações com os negócios, promovendo responsabilidade social em acordo com as melhores práticas aprovadas pelos órgãos oficiais.

Dentro deste tema, a Bunge não tem contratos de fornecimento de cana-de-açúcar produzida em terra onde prevalece contencioso com comunidades indígenas sobre as mesmas. Em nossos negócios, novamente não houve casos de violação de direitos indígenas no período reportado. 

Com relação a demandas de comunidades locais relativas à mosca do estábulo, durante 2015, informamos que a Usina Ouroeste realiza a aplicação da vinhaça em seus canaviais de forma adequada, seguindo o PAV (Plano de Aplicação da Vinhaça), conforme autorização da Cetesb, órgão ambiental competente. A empresa adota medidas de controle para evitar qualquer incômodo decorrente dessa aplicação, inclusive monitorando a presença da mosca e os pontos de proliferação. É importante mencionar que o trabalho realizado para monitorar e diminuir a infestação conta com a parceria dos pecuaristas, uma vez que a mosca está presente no estábulo. G4-HR8

  1. Biotecnologia e biocombustíveis

A Bunge promove a adoção de tecnologias que encorajem práticas agrícolas sustentáveis. A empresa considera que a biotecnologia, quando apropriadamente aplicada, pode ser uma ferramenta para melhorar a produção e diminuir o uso de recursos naturais escassos, como água, terra arável e nutrientes. A empresa promove o desenvolvimento da indústria global de biocombustíveis com base nos princípios do consumo e produção sustentável, equilibrando as demandas por alimentos, fibras e combustíveis. Os produtos oriundos da biotecnologia são rotulados de acordo com legislação nacional, havendo acordos comerciais entre o Brasil e países importadores para que os controles sejam efetivos. Como principal exportadora do agronegócio no país, a Bunge atua como protagonista neste controle, respeitando as necessidades de seus clientes no mercado nacional e internacional.

Com relação ao desenvolvimento tecnológico do Etanol, a Bunge é acionista do Centro de Tecnologia Canavieira, CTC. Fundado há mais de 40 anos, o CTC é responsável pela evolução genética da cana e do papel de vanguarda do Brasil na produção de açúcar e etanol. Uma empresa brasileira que é referência mundial no desenvolvimento de um produto que destaca o nosso País como maior produtor de uma fonte renovável e limpa de energia.

[1] Em maio de 2016, a Moratória da Soja foi renovada por prazo indefinido.

TNC e Soja Plus

Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da agricultura sustentável no Brasil, no fim de 2012 firmamos uma parceria com a The Nature Conservancy (TNC), organização não governamental líder em conservação ambiental. Por meio da iniciativa, a Bunge se comprometeu a investir US$ 4 milhões em cinco anos para que fornecedores de grãos instalados em municípios do centro-norte de Mato Grosso e oeste baiano passassem a receber apoio técnico da TNC para o cumprimento integral do novo Código Florestal brasileiro e para a adoção de melhores práticas sustentáveis de cultivo.

Tanto no Mato Grosso quanto na Bahia, a meta é ampliar expressivamente a adoção do Cadastro Ambiental Rural (CAR) na cadeia de abastecimento da empresa, assegurando que nossos produtores obtenham a regularização antes mesmo do prazo estabelecido pela legislação. A ação também aumenta a capacidade do poder público de planejar e monitorar a ocupação do território, o que é essencial para a conservação ambiental.

A atuação responsável e alinhada às novas diretrizes da legislação ambiental é imprescindível para atender a crescente demanda por investimentos logísticos que melhorem a produtividade e o escoamento dos grãos.

Na região do corredor logístico da BR-163 e dos municípios mato-grossenses, a parceria cria um impacto positivo para a criação de paisagens produtivas sustentáveis, além de permitir maior cuidado com os remanescentes de florestas. O objetivo é desenvolver um planejamento de uso do solo e um sistema de monitoramento para a região influenciada pelo terminal de transbordo de grãos em Miritituba (PA) e sobre a expansão agrícola a partir das localidades de originação no Mato Grosso.

Além disso, em municípios no entorno do transbordo de Mirituba (PA) estão sendo criados sistemas de planejamento e monitoramento, avaliação da governança local para os ativos florestais e controle do desmatamento.

No final de 2015, as seguintes etapas foram realizadas:

Pará

  • Monitoramento da região de influência do transbordo de Miritituba;
  • Avaliação do histórico de desmatamento territorial e suas tendências em Unidades de Conservação e Terras Indígenas;
  • Desenvolvimento do Portal Ambiental Municipal (PAM) a ser disponibilizado para os municípios de Itaituba (que contempla o distrito de Miritituba) e Trairão;
  • Realização de oficinas para fomento à regularização das propriedades rurais junto ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), na região do Rio Tapajós;
  • Constituição do Comitê do Pacto contra o Desmatamento Ilegal, no município de Itaituba, com apoio do projeto;
  • Assinatura do Pacto pela Regularização Ambiental e Produção Sustentável do Município de Trairão, com apoio do projeto.

Mato Grosso

  • Identificação de áreas aptas à intensificação de cultivos, alinhadas com o conceito de agricultura sustentável preconizado pela FAO;
  • Capacitação de técnicos ambientais de sete prefeituras para inserção de dados do Cadastro Ambiental Rural no Sistema Federal.

Bahia

  • Finalização do levantamento cartográfico do município de Luís Eduardo Magalhães;
  • Análise sobre o potencial de implementação de políticas para pagamento de serviços ambientais no oeste da Bahia;
  • Estudo sobre a situação de disponibilidade hídrica para a região do oeste da Bahia.
  • Workshop sobre Boas Práticas Agrícolas e Água realizado no oeste da Bahia.

Apoio ao desenvolvimento sustentável no campo
Para a proteção da biodiversidade, a Bunge também apoia o Programa Soja Plus, conduzido pela ABIOVE, que dissemina boas práticas agrícolas e de gestões econômica, social e ambiental a produtores rurais. Na ação, supervisores de campo (engenheiros florestais e agrônomos) capacitam proprietários e seus funcionários, prestando assistência técnica individual, realizando oficinas, cursos, dias de campo e oferecendo ferramentas para aprimorar a gestão das propriedades. O objetivo é reforçar que é possível conciliar a produção agrícola com a conservação dos recursos naturais e ainda proporcionar a melhoria da saúde e da segurança no trabalho rural.

O Programa Soja Plus foi criado há cinco anos e hoje está implementado nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Minas Gerais. O objetivo é melhorar a gestão das fazendas para atender às demandas de mercado por produtos sustentáveis.

Em 2015, supervisores de campo realizaram assistência técnica individualizada com avaliação de 180 indicadores socioambientais em 780 fazendas nos quatro Estados. Ainda dentro do programa, foram realizados seis seminários, um workshop e nove dias de campo. As fazendas atendidas nos estados plantam 2,2 milhões de hectares de soja, com produção de 6,6 milhões de toneladas.

O ciclo de visitas e assistência está mais amadurecido no Mato Grosso, com a adesão de produtores responsáveis por aproximadamente 1,3 milhão de hectares de soja, área equivalente a 15% da área plantada no Estado. Lá, desde 2011, foram realizadas 29 oficinas e dias de campo sobre o cumprimento da rigorosa legislação social brasileira, para 4.630 produtores rurais. No mesmo período, foram oferecidos cursos de 16 horas para 1.329 produtores e gerentes sobre saúde e segurança no trabalho, com ênfase na qualidade de vida dos trabalhadores rurais. Foram confeccionados diversos materiais técnicos, como livros didáticos e cartilhas técnicas para subsidiar a capacitação.

A ação não é impositiva, mas inclusiva, transparente e gratuita, ao contrário de programas de certificação, que criam expectativas de premiação sobre a produção, o que nem sempre ocorre no mercado de commodities.

Mais informações sobre o programa em www.sojaplus.org.br

Moratória da Soja³

Nossa atuação respeita também a Moratória da Soja, compromisso voluntário criado em 2006, que gera restrições à soja produzida no bioma amazônico brasileiro.

Em 2014, a Moratória da Soja iniciou um período de transição válido até 31 de maio de 2016, a fim de que fossem assegurados os novos marcos legais da legislação ambiental (Código Florestal e Cadastro Ambiental Rural). O Grupo de Trabalho da Soja (GTS), composto por empresas e associações do mercado comprador, bem como consumidores finais, ONGs, representantes do governo e agentes financeiros, firmou um novo compromisso para esta fase transitória, incluindo os seguintes pontos:

  • Não comercializar, adquirir e financiar soja oriunda de áreas que tenham sido desflorestadas no bioma amazônia após julho de 2008, bem como as que constem na lista de áreas embargadas por desmatamento do Ibama e/ou lista de trabalho análogo ao escravo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
  • As organizações da sociedade civil participantes do GTS se comprometem a: fornecer informações e assessoria técnica especializada no que se refere à correta e efetiva implementação do acordo; e defender interna e externamente a criação de mecanismos de incentivo à remuneração por prestação de serviços ambientais e preservação de florestas nas propriedades rurais cobertas pelo termo de compromisso.
  • O Ministério do Meio Ambiente se compromete a: a) apoiar a implementação do CAR e do PRA, dando prioridade aos municípios produtores de soja no bioma amazônia, em estreita relação com os órgãos estaduais de meio ambiente; b) em cooperação com os demais órgãos do governo, defender em fóruns nacionais e internacionais o desenvolvimento de programas de reconhecimento à produção sustentável de soja no Brasil; c) articular incentivos aos produtores que adotem programas consistentes de proteção das florestas existentes em suas propriedades, bem como iniciativas de recomposição de Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Caberá ao MMA, por meio do Ibama, a fiscalização dos polígonos de soja plantada em áreas desmatadas após julho de 2008.

Apenas 0,79% área plantada com soja na Amazônia está em desacordo com a Moratória

O mapeamento em áreas desmatadas do bioma amazônia concluiu que, no 8º ano da Moratória da Soja (safra 2014/2015), foram identificados 28.768 hectares com a oleaginosa. A Bunge não adquiriu os grãos provenientes desses plantios.

De acordo com os dados do monitoramento, 28.768 hectares de soja em desacordo com a Moratória representam apenas 0,79% da área cultivada com a oleaginosa nesse bioma. A transição visa o emprego de ferramentas mais efetivas para a sustentabilidade do sistema.

 

3 Em maio de 2016, a Moratória da Soja foi renovada por prazo indefinido.

 

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