Gestão na cadeia de valor

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A Bunge não detém a gestão total dos processos agrícolas estabelecidos para a produção dos insumos utilizados na fabricação de alimentos e ingredientes. Por isso, a promoção da agricultura sustentável é um ponto de atenção na cadeia de valor da companhia, cujos impactos são de grande interesse dos nossos públicos de relacionamento.

Em função disso, nos empenhamos permanentemente em sensibilizar e capacitar os parceiros comerciais para que a produção respeite os direitos dos trabalhadores e não traga danos ao meio ambiente; e também para que os recursos naturais sejam aproveitados racionalmente e o desenvolvimento socioeconômico resulte em benefícios para a sociedade local e para o país. Assim, reforçamos nosso compromisso com a produção sustentável e procuramos garantir a segurança no abastecimento futuro de matérias-primas e alimentos. Para isso, estabelecemos regras rígidas de qualidade para todos os fornecedores e realizamos constantes verificações de conformidade. Ao fim de 2015, 100% dos fornecedores cumpriam a política de compras da Bunge.

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O foco da nossa cadeia de suprimentos está no comércio de commodities agrícolas. A Bunge origina (adquire) grãos de regiões produtoras de todo o país e os entrega a diferentes mercados de consumo do Brasil e do mundo. Também os transforma em insumos para as indústrias de alimentação animal e humana e para a produção de biodiesel. A Bunge também origina o óleo de palma diretamente de traders e é produtora primária de cana-de-açúcar e derivados, como açúcar, etanol e bioeletricidade. Além disso, revende fertilizantes agrícolas para produtores da cadeia de abastecimento. 

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Nosso objetivo é estabelecer relacionamentos próximos, transparentes e duradouros com produtores rurais, visando a produção sustentável e a segurança alimentar.

Temos relacionamento direto com mais de 8.500 fornecedores anualmente. Isso nos leva a assumir a corresponsabilidade na adoção e manutenção de critérios socioambientais e legais que estimulem, de forma justa e correta, o cultivo no campo.

Assim, atuamos com rigor para garantir que nossos fornecedores estejam alinhados às regras do novo Código Florestal brasileiro, por exemplo. Para isso, mantemos sistematicamente atualizado um rigoroso cadastro de fornecedores e os gestores são informados de quaisquer intercorrências que possam afetar a garantia dos padrões da companhia.

Durante 2015, a empresa manteve os controles relacionados à Moratória da Soja¹, à não utilização de trabalho escravo e infantil e às determinações de embargo geradas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), entre outros. Nosso objetivo é estabelecer relacionamentos próximos, transparentes e duradouros com produtores rurais que tenham responsabilidade não só do ponto de vista ambiental, mas também das condições de trabalho e de vida dignas para seus colaboradores e suas famílias. Assim, os produtores rurais parceiros devem manter instalações e ambientes adequados para o bom desempenho de suas atividades.

Em contrapartida, a Bunge oferece aos parceiros uma estrutura logística robusta, que engloba silos, fábricas, terminais portuários e escritórios comerciais. Todos os nossos esforços se voltam para a promoção de relacionamentos sustentáveis, cuja base é a geração de valor para a empresa, para o produtor e para suas regiões, em busca de crescimento sustentável e contínuo.

A partir desse ponto de vista, consideramos que os atuais marcos regulatórios do Código Florestal brasileiro, por serem mais claros, podem sustentar relacionamentos com as próximas gerações de produtores rurais. A empresa valorizará cada vez mais a produção em áreas antes degradadas e associadas ao uso de tecnologias que aumentem a produtividade, ou seja, que possibilitem uma produção cada vez maior sem a necessidade de abrir novas áreas para atender à crescente demanda global de alimentos e energia.

Em 2015, a Bunge manteve sua adesão à Moratória da Soja, à não utilização de trabalho escravo e infantil e às determinações de embargo do Ibama.

Novo compromisso: eliminar o desflorestamento das cadeias de fornecimento agrícola

A Bunge acredita que todos os ciclos produtivos agrícolas devem ser ambientalmente sustentáveis e devem beneficiar as comunidades locais em termos econômicos e sociais. Nossa empresa se compromete a aplicar políticas em seus negócios e em suas cadeias de valor que refletem essas crenças, e a colaborar com as partes interessadas, produtores e consumidores, para desenvolver abordagens práticas que permitam a implementação em grande escala.

Com esta visão, a Bunge Limited publicou, em setembro de 2015, sua Política de Não Desflorestamento, com abrangência global. Por meio deste compromisso, a Bunge se compromete a:

  • Eliminar o desflorestamento de suas cadeias de suprimentos agrícolas ao redor do mundo, empregando metodologias comprovadas que incorporam proteção de carbono e de biodiversidade;
  • Respeitar os direitos de comunidades locais e indígenas e aplicar o consentimento livre e informado com antecedência na compra e uso de terras;
  • Melhorar a rastreabilidade e transparência de cadeias de suprimentos-chave;
  • Divulgar publicamente os progressos obtidos em nossos esforços.

 

Em 2016, especialistas das frentes de negócio irão trabalhar, de forma global, para definir o plano de implementação dos compromissos assumidos, avaliando cenários, prazos, regiões e outras questões relevantes. O resultado deste trabalho será validado pelo Comitê Executivo da Bunge Limited (acesse o conteúdo completo da nova política em www.bunge.com.br/sustentabilidade/politicas).

 

Transparência nos relacionamentos

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A gestão de nossa cadeia de fornecedores segue critérios uniformes e transparentes, garantindo, em todos os casos, documentação legal que formaliza as interações, os formatos de administração e os comportamentos empresariais esperados pela companhia. Assim, a cada contrato, todos os fornecedores renovam seu compromisso com as questões socioambientais difundidas pela empresa, compartilhando práticas alinhadas com as premissas do desenvolvimento sustentável. Por isso, cláusulas ambientais, de direitos humanos e trabalhistas estão presentes em todos os contratos. Em 2015, não foram registradas queixas e reclamações relativas a desrespeito de direitos humanos entre os fornecedores da Bunge. 

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Originação de grãos

Os fornecedores de grãos são acompanhados pela área Comercial de Originação, que segue diretrizes estabelecidas em conjunto com as equipes de Sustentabilidade e Jurídica Ambiental. A área Comercial é responsável por avaliar e gerenciar aspectos de fornecimento das commodities e, por isso, estabelece estreita relação com os produtores. Além de checklist específico em sustentabilidade para casos em que há compra antecipada, avalia-se também a garantia de fornecimento dos produtos contratados; a qualidade e conformidade dos grãos; os prazos e locais de entrega; a conformidade com leis e requisitos ambientais (áreas embargadas pelos órgãos ambientais); e o controle sobre a Lista de Trabalho Escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Principais riscos e impactos potenciais:

  • Desmatamento ilegal e exaustão dos recursos naturais usados na agricultura
  • Riscos à biodiversidade e consequências na produção
  • Ocorrência de trabalho infantil e/ou análogo ao escravo por desrespeito às legislações trabalhistas e de direitos humanos
  • Inadequação à legislação ambiental sobre áreas de reserva legal.

 

OBJETIVOS

RESULTADOS ALCANÇADOS EM 2015

Controle sobre áreas de risco de uso de trabalho penoso análogo ao escravo.

A empresa manteve 100% de controle sobre os produtores que não respeitaram o pacto voluntário para erradicação do trabalho escravo. Em 2015, apenas um novo fornecedor foi bloqueado por estar na Lista de Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Emprego.

Controle sobre embargos do Ibama para produtos da cadeia de valor originários de desmatamento irregular.

No ano, 29 novos produtores foram bloqueados por estarem na lista de embargos do Ibama. O número total de produtores que permaneceram bloqueados foi de 195.

Incremento de ferramentas para sensibilizar produtores 
sobre questões de agricultura sustentável.

A Bunge apoia o Programa Soja Plus, em parceria com Abiove e Aprosoja (MT), que atua na sensibilização em agricultura sustentável nas principais áreas do cerrado. Em parceria com a The Nature Conservancy - TNC, também fomenta a disseminação de práticas sustentáveis em áreas de expansão dos cultivos.

Impedimento de originação de soja cultivada em áreas desmatadas após julho de 2008 no bioma amazônico.

Realizamos 22 novos bloqueios de fornecedores por desrespeito à Moratória da Soja. Ao fim de 2015, 69 produtores permaneciam bloqueados, o que demonstra que nossa cadeia de suprimentos tem respeitado nosso critério, ainda que grãos em desacordo possam chegar ao mercado por outras empresas não participantes do compromisso setorial.

Compra de grãos em conformidade com o Protocolo Verde de Grãos do Pará.

Em 2015, a Bunge implementou os critérios de compra do Protocolo do Pará que, entre outros itens, exige que todas as compras realizadas no Estado sejam feitas mediante nota fiscal e Cadastro Ambiental do Produtor, além da verificação das listas de embargo estadual e federal e lista de trabalho escravo do MTE.

 

MONITORAMENTO DE CONFORMIDADE DA CADEIA DE FORNECIMENTO AGRÍCOLA

 

2013

2014

2015

 

Novos produtores bloqueados

Produtores que permaneceram vetados

Novos produtores bloqueados

Produtores que permaneceram vetados

Novos produtores bloqueados

Produtores que permaneceram vetados

Ibama

47

423

33

261

29

195

Moratória da Soja

6

43

0

36

22

69

Pacto Nacional Erradicação do Trabalho Escravo

6

13

0

13

1

13

 

Originação de cana-de-açúcar

A área de Açúcar & Bioenergia utiliza matéria-prima cultivada em áreas contratadas na modalidade de parceria agrícola e em áreas de fornecedores terceiros, que são avaliados em relação a critérios de qualidade, principalmente do teor de açúcar total recuperável (ATR) do produto. Os contratos de fornecimento são de longo prazo e seguem a mesma avaliação da originação de grãos, mas com especial cuidado às condições trabalhistas, visto que a Bunge é signatária do Compromisso Nacional para as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar e tem política própria que regula a gestão do tema.

Principais riscos e impactos potenciais:

  • Ocorrência de trabalho infantil e/ou análogo ao escravo
  • Alteração do ecossistema
  • Poluição do solo e água
  • Assoreamento de corpos hídricos
  • Erosão e perda de solo
  • Ausência ou uso incorreto de equipamentos de proteção individual (EPIs)
  • Queimadas involuntárias.

 

Biomassa

Em todas as compras de biomassa, aplicamos um checklist de documentos de avaliação ambiental, trabalhista, de logística e informações fiscais, além de documentos específicos por fábrica, por produto e em alinhamento às legislações federal e estaduais. Os fornecedores devem apresentar a documentação solicitada antes da contratação e sempre que houver atualizações. É obrigatório o envio de Certidão Negativa de Débito no Ibama, de Embargo e também a consulta de ocorrência de trabalho escravo em lista do MTE. Entre a documentação específica, pode ser solicitada autorização/informativo de corte, comunicado de corte de frutíferas, declaração de isenção de autorização de corte, licença de operação, licença ambiental única e registro florestal estadual, conforme a legislação específica para o material adquirido e o Estado de origem.

Se alguma dessas condições não for atendida, a negociação é paralisada e as áreas de Biomassa Corporativa e Jurídica são imediatamente informadas para avaliar o risco da operação e obter autorização para a retomada dos negócios. Nos casos em que a análise demonstra que a compra é adequada, a negociaçao segue normalmente.

Ao receber a matéria-prima, realizamos também uma análise de riscos contidos nos Critérios Ambientais para Aquisição de Biomassas, conduzido por nossa equipe de Produtividade, Qualidade, Segurança e Meio Ambiente (PQSE).

Assim, há um primeiro checklist que aprova ou desaprova a compra, e um segundo que avalia se, mesmo com a documentação adequada, há riscos na negociação com o fornecedor, prevenindo intercorrências da responsabilidade compartilhada da Bunge, mesmo antes de o parceiro receber notificação/embargo. Caso a equipe entenda que algum parceiro ou combustível apresenta grande risco ambiental, social ou econômico à Bunge, é proposto um plano de ação para auxiliar o fornecedor na adequação de seu processo.

Em 2015, foram realizadas compras de biomassa de 158 fornecedores, sendo que 100% deles foram avaliados com base nos critérios de gestão de risco da empresa.

Principais riscos e impactos potenciais:

  • Desmatamento ilegal e exaustão dos recursos naturais usados na agricultura
  • Riscos à biodiversidade e consequências na produção
  • Ocorrência de trabalho infantil e/ou análogo ao escravo por desrespeito à legislação trabalhista e de direitos humanos
  • Inadequação à legislação ambiental sobre áreas de reserva
  • Necessidade de variação das fontes de matriz energética para que a exclusão de um produto ou de um fornecedor não afete a operação da fábrica.

 


¹ Pacto realizado entre entidades representativas dos produtores e exportadores de soja, ONGs ambientais e o governo, em julho de 2006, prevendo a adoção de medidas contra o desmatamento da Amazônia. A iniciativa, da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) e Associação Brasileira dos Exportadores de Cereais (Anec), obriga seus filiados a não comercializar soja originária de áreas desmatadas no bioma amazônico após julho de 2008.
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